
Por favor, preciso me apresentar, eu me chamo terrorismo (isso mesmo com letra minúscula, não gosto muito de aparecer) e andam falando de mim por aí. Eu sou muito antigo, estou com todos vós há muito tempo, lá na Mesopotâmia entre os assírios eu gostava de execuções públicas, decapitações e arrancar os olhinhos dos bebês ainda no ventre das mães.
Estou na Bíblia desde sempre, Herodes é meu pastor, lá deixei em sua conta milhares de inocentes, em Roma meu nome foi Sicário e na Idade Média tive uma consagração que veio pelas mãos de Marco Polo, a seita islâmica dos Hashshashin que gostava de eliminar líderes militares e políticos ficou conhecida como “assassinos” e agora eu já tenho nome, alguns pode assim me chamar, mas foi na França que meu deleite foi maior, tive quem quis na guilhotina e me deram até um nome que mereci :”Período do Terror”, gostei pois estava a vontade em meio as cabeças soltas nos balaios.
Aos pés do “Czar Libertador” russo Alexandre II deixei uma bomba, tempos depois ganhei uma revolução, sem falar da minha passagem por Sarajevo, sangrei o arquiduque e ganhei uma Grande Guerra. Na Guerra Fria me empolguei com sequestro de aviões, estava lá no 11 de setembro quando as torres se curvaram para mim. O Estado Islâmico, o ISIS, não me dá sossego e sempre ao seu dispor recruto e ataco por aí. Não gosto de avisar, fico latejando esperando explodir.
No Brasil, estive num caminhão de combustível na véspera do Natal de 2022, final de um ano eleitoral, estava tudo prontinho para ir para os ares perto do aeroporto de Brasília quando fui descoberto. Prometia ser um sucesso.
Agora estou chegando novamente para ver o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), vai ser emocionante, não sabia que as facções queriam tomar o Estado, eu sei que eles querem lavar dinheiro e eliminar violentamente quem entra em seu caminho, mas se para isso fui chamado, vou agir.
Agora me ajuda aí com o Pazuelo, aquele ministro bola murcha do Bolsonaro na época da pandemia, aquele general que disse que só um milagre nos salvaria, agora como deputado ele quer que qualquer motivação, manifestação político, religiosa seja terrorista; uma greve, um sindicalista, ou até um líder religioso fazendo o bem para um mendigo pode ser um terrorista. Estão me confundindo e eu adoro isso, quanto mais perdem o controle, mais eu apareço, é a natureza do meu jogo. Vim passar férias no Brasil. Me pediram. Acabei de chegar.





