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Terras Raras

Diversos elementos químicos da série dos lantanídeos formam o conjunto denominado “terras raras”, tão precioso e estratégico nos dias atuais, tempos de transição energética.
Elas são raras não por motivos históricos, mas porque são difíceis de concentrar e separar industrialmente, quem consegue separar e refinar são os chineses, o processo é difícil e caro. Com uma reserva de 21 milhões de toneladas, o Brasil aparece em segundo lugar, logo atrás da China. Minas Gerais, Goiás e Pará são os estados de maior potencial, mas muitas áreas ainda não foram mapeadas em profundidade, Catalão (GO) a menos de 400 Km daqui, verificou-se a presença das “terras raras”.
Esse conjunto de elementos químicos (terras raras) tornou-se essencial para fazer baterias de carros elétricos, imãs de alta potência para turbinas eólicas, smartphones e computadores, semicondutores e equipamentos militares. O Brasil vai bem nas primeiras etapas do processo, ou seja, a pesquisa mineral, quando mapeia, faz a sondagem e estuda a viabilidade econômica, a segunda parte que é a extração removendo rochas e argilas geralmente a céu aberto também dominamos, mas quando chega a terceira etapa que é a de beneficiamento onde há a separação dos elementos, ainda fazemos de forma primária, reduzimos impurezas mas sem alto valor agregado, e a quarta etapa é que não dominamos mesmo, é a industrialização, quando se transforma as ligas metálicas em componentes, essa tecnologia está com a China.
E esse é o desafio do Brasil que neste momento possui uma vantagem estratégica, enormes reservas, num momento em que o mundo disputa tais minerais. Mas isso não é tudo, as “terras raras” passaram a fazer parte do debate ideológico da política brasileira, Lula defende que nós tenhamos uma tecnologia de refino através de uma indústria nacional desenvolvendo uma cadeia produtiva completa, podendo ser um fornecedor estratégico global e com isso reduzir nossa dependência externa de tecnologia, além de criar uma indústria de alto valor agregado. Lula critica a exportação de matéria prima sem valor agregado e cita como exemplo o modelo do minério de ferro que foi exportado bruto por décadas com baixo valor agregado.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro quer uma aproximação direta com os EUA e o investimento de capital estrangeiro e rapidez na exploração; Caiado já até firmou acordos com empresas estrangeiras para fazer pesquisas em Goiás, e olha que isso nem é competência dele, mas sim da União.
Bem o debate está na mesa: Lula defende a soberania nacional, Flávio Bolsonaro e Caiado querem que o capital internacional se ocupe das “terras raras”. Estamos diante de um novo pré-sal mineral? Como a economia, a indústria e a política vão se comportar?