
Um dos maiores espetáculos religiosos a céu aberto do interior de São Paulo já começa a ganhar forma em Batatais. A tradicional Encenação da Paixão de Cristo, realizada no Sambódromo Municipal e que reúne milhares de pessoas durante a Semana Santa, chega em 2026 à sua 23ª edição, mantendo viva uma tradição que une fé, cultura e turismo religioso.
A preparação envolve meses de trabalho e mobiliza dezenas de equipes responsáveis por cenários, figurinos, iluminação, sonoplastia e organização geral. Ao todo, cerca de 200 pessoas participam diretamente da produção do espetáculo, que todos os anos atrai público de Batatais e de diversas cidades da região.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, o coordenador da encenação, Bruno Lopes (foto acima), falou sobre os preparativos, os desafios da organização e a importância do evento para a comunidade.
JC: Como estão os preparativos para a Encenação da Paixão de Cristo deste ano em Batatais?
Bruno Lopes: Os trabalhos começam com muita antecedência, pois se trata de um evento cultural, turístico e também de evangelização religiosa. As equipes se organizam e estão a todo vapor para levar ao povo de Batatais e também de várias cidades da região um dos maiores espetáculos a céu aberto do interior de São Paulo. Neste ano completamos 23 edições, ou seja, 23 anos de muito trabalho e dedicação total à cultura, ao turismo e à evangelização.
JC: Qual é o significado da encenação para a comunidade católica e para a cidade?
Bruno Lopes: Durante a preparação e até o momento da apresentação, temos a oportunidade de mergulhar profundamente nos mistérios de Jesus Cristo. Levamos as pessoas envolvidas na preparação e também o público que acompanha o espetáculo — que começa na sexta-feira e termina no domingo com a Ressurreição — a vivenciar os últimos passos de Jesus. Esse alcance não se limita a Batatais. No ano passado, por exemplo, identificamos a presença de pessoas de cerca de 18 cidades, inclusive de outros estados. Isso conseguimos perceber porque o nosso pároco e diretor espiritual, padre Nelci Souza, acolhe o público no sambódromo e pergunta de onde as pessoas vieram.

JC: Há novidades na edição deste ano em relação ao roteiro, cenário ou elenco?
Bruno Lopes: Todos os anos temos novidades. O relato bíblico permanece o mesmo, pois seguimos fielmente a Palavra de Deus ao retratar os últimos momentos de Jesus até a Ressurreição. As falas são gravadas e trabalhamos toda a sonoplastia com efeitos para proporcionar uma experiência ainda mais marcante para quem assiste. Os cenários são refeitos todos os anos, com melhorias nas estruturas, tecidos, madeiramentos e pinturas, sempre buscando aprimorar a experiência. Em relação ao elenco, todos os personagens e figurantes seguem fielmente as referências da Sagrada Escritura.
JC: Quantas pessoas estão envolvidas diretamente na produção do espetáculo?
Bruno Lopes: É um número grande de pessoas. Temos a equipe de coordenação geral, além das equipes de cenários, sonoplastia, figurino, teatro, figurantes, ornamentação, transporte e logística, costura, iluminação e efeitos, maquiagem, fotografia, sepulcro, horto e crucificação, narração e preparação de texto, além da equipe que cuida de toda a parte burocrática do evento. Somando todas as equipes, são cerca de 200 pessoas diretamente envolvidas na realização do espetáculo.
JC: Como funciona o processo de escolha dos participantes e os ensaios?
Bruno Lopes: Temos um cuidado especial na escolha dos personagens. Buscamos pessoas que muitas vezes já tenham alguma experiência com teatro ou facilidade de apresentação, pois estamos representando algo muito sério, que é a história da salvação. A equipe de teatro se organiza durante todo o período de preparação e, na Sexta-feira Santa, realizamos no sambódromo o ensaio geral, quando todos os cenários já estão montados e podemos fazer os ajustes finais antes da apresentação. Mas sempre estamos de braços abertos para receber novas pessoas que tenham vontade de participar.

JC: Quais são os principais desafios na organização de uma encenação desse porte?
Bruno Lopes: Um dos principais desafios é não termos um local adequado para armazenar as estruturas após o evento. Toda a estrutura metálica precisa ser refeita todos os anos, pois mesmo protegida com lona sofre desgaste do sol e da chuva. A questão financeira também é um grande desafio, porque muitos materiais se desgastam e precisam ser substituídos. Durante todo o processo, desde as tratativas até a apresentação, surgem desafios, o que é normal em um evento desse porte que reúne cerca de sete mil pessoas no sambódromo municipal.
JC: A Igreja tem trabalhado alguma mensagem especial para ser refletida nesta edição?
Bruno Lopes: A mensagem é sempre a mesma: a mensagem de Jesus Cristo. A encenação retrata os seus últimos passos e convida as pessoas a vivenciar o seu amor e sua entrega na cruz pela salvação de todos.
JC: Qual a importância da participação da comunidade e dos voluntários nesse evento?
Bruno Lopes: Sem os voluntários e sem a presença da comunidade o evento não aconteceria. Cada equipe e cada pessoa que se dedica ao trabalho contribui para que o espetáculo aconteça. É um trabalho feito com muito amor e dedicação.

JC: Existe parceria com a Prefeitura ou outras entidades para viabilizar a encenação?
Bruno Lopes: Sim. A Prefeitura é parceira em todos os aspectos do evento, desde a parte burocrática até a execução e também no apoio financeiro. A Secretaria de Cultura e Turismo mantém uma parceria importante conosco. Neste ano também contamos com a colaboração dos vereadores Gustavo Rasteli e Gustavo Mumu, que direcionaram recursos de emendas impositivas para ajudar no custeio. A realização é da Paróquia Santa Rita, juntamente com a Associação Cultural e Social João Paulo II e o Ministério Teatral.
JC: O que o público pode esperar em termos de estrutura e organização neste ano?
Bruno Lopes: O público pode esperar um belíssimo espetáculo no sambódromo municipal e depois na Praça da Auxiliadora. Por meio do teatro, queremos ajudar as pessoas a mergulhar profundamente no mistério de Cristo. Teremos grandes cenários, organização e muito cuidado com todos os detalhes.
JC: Como a encenação contribui para manter viva a fé e as tradições religiosas no município?
Bruno Lopes: A encenação é um ponto muito importante em relação à cultura, ao turismo e à religiosidade, mas não é o único momento. Em nossa paróquia existe uma programação especial que começa no Domingo de Ramos e vai até o Domingo de Páscoa. Durante toda essa semana vivenciamos o ponto mais alto da nossa fé, que é a Eucaristia, mantendo vivas as tradições e a espiritualidade cristã.

JC: Bruno, qual mensagem o senhor gostaria de deixar para a população de Batatais neste momento de preparação?
Bruno Lopes: Primeiramente agradeço a Deus, que sempre caminha conosco e nos sustenta em todos os momentos. Também agradeço ao padre Nelci Souza pela confiança em estar à frente da coordenação desse evento, a todas as equipes pelo trabalho e dedicação, à Prefeitura, aos funcionários públicos, à Secretaria de Cultura e Turismo e aos vereadores Gustavo Rasteli e Gustavo Mumu pelo apoio. À população de Batatais deixo o convite para participar dessa belíssima apresentação e continuar nos apoiando. A Semana Santa é o período mais importante do ano para os cristãos, quando celebramos a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Desejo a todos uma abençoada Semana Santa e uma feliz Páscoa.





