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Varredura contra a dengue já retirou mais de 323 toneladas de materiais inservíveis em Batatais

A Prefeitura de Batatais, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, segue intensificando as ações de combate à dengue com a realização da varredura contra o mosquito Aedes aegypti. O trabalho, que vem sendo realizado em diferentes regiões da cidade, já contabiliza a retirada de centenas de toneladas de materiais que poderiam servir de criadouros do mosquito transmissor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela.


Em entrevista ao Jornal da Cidade, a supervisora de Controle de Vetores da Secretaria Municipal de Saúde, Érica Adriana Carvalho (foto acima), destacou os resultados das ações, os desafios enfrentados pelas equipes e a importância da colaboração da população no combate à doença.

JC – A varredura denominada “Sextou contra a Dengue em Batatais” vem apresentando bons resultados?
Érica – Na varredura contra a dengue, onde o foco principal é recolher materiais que acumulam água e, consequentemente, se tornam criadouros do Aedes aegypti, estamos obtendo excelentes resultados, com a retirada de aproximadamente 323 toneladas de materiais inservíveis, como plásticos, recicláveis, pneus, eletrodomésticos em desuso, brinquedos quebrados, piscinas desmontáveis, garrafas, latas, sucatas, entre outros.

JC – Quantas edições do mutirão já foram realizadas até o momento e quais regiões da cidade foram priorizadas?
Érica – Realizamos onze edições, totalizando 33 bairros. Utilizamos como indicador para a ação 250 armadilhas, chamadas Mi-Aedes, instaladas em toda a cidade. Trata-se de um monitoramento inteligente, onde nossos agentes coletam semanalmente mosquitos capturados pelas armadilhas. Assim, temos um parâmetro para definir os locais prioritários para realização da ação.

JC – Houve impacto direto na redução de casos de dengue no município após o início dos mutirões?
Érica – Sem dúvida. Com a retirada do grande número de prováveis criadouros, os números também demonstram resultado positivo. Nesse mesmo período do ano passado contávamos com 980 casos positivos de dengue e, no momento, contamos com apenas cinco casos.

JC – Quais são os principais desafios encontrados pelas equipes durante as ações, especialmente em relação à conscientização da população?
Érica – Infelizmente temos munícipes que não gostam de receber o agente em suas residências. Outros têm apego a materiais que não utilizam mais e acabam armazenando de maneira incorreta, ao ar livre, acumulando água. Outro fator são os imóveis fechados, nos quais os moradores passam o dia todo fora, impedindo a visita, além dos imóveis desocupados.

JC – Como tem sido a adesão dos moradores durante o mutirão? A população tem colaborado com a eliminação de possíveis focos do mosquito?
Érica – Parcialmente, mas ainda encontramos resistência de alguns moradores.

JC – Quais locais ou situações ainda preocupam mais as equipes de combate à dengue em Batatais?
Érica – Não existe um local específico, mas a população precisa colaborar para que o mosquito não se reproduza. Isso acontece quando cada um faz sua parte, não deixando água parada, por menor que seja o recipiente. O descarte incorreto de recicláveis, caixas d’água e reservatórios mal tampados também preocupa. Nossa maior preocupação é a conscientização de todos, pois uma residência com um criadouro potencial de Aedes aegypti pode comprometer um bairro inteiro.

JC – O mutirão conta com parceria de outras secretarias ou órgãos? Como funciona essa integração entre os setores?
Érica – A varredura é uma ação intersetorial, com a participação de colaboradores de todos os setores da Prefeitura Municipal, além de outras entidades. Já contamos com a participação de integrantes do CASI e estamos articulando a participação dos atiradores do Tiro de Guerra, entre outros parceiros.

JC – Além das ações de campo, quais outras estratégias estão sendo adotadas pelo município para o combate à dengue?
Érica – Realizamos atividades preconizadas pelo Ministério da Saúde mensalmente, como visitas casa a casa, ações em Pontos Estratégicos — empresas de grande porte — e em Imóveis Especiais, como escolas, creches, asilos, hospitais, igrejas e supermercados. Também fazemos Avaliação de Densidade Larvária a cada três meses. Além disso, promovemos ações educativas em escolas, feiras e entidades, com brincadeiras, jogos e distribuição de informativos.

JC – O Sextou contra a Dengue terá continuidade ao longo do ano? Há previsão de ampliação das ações?
Érica – Temos uma programação até o final do ano e pretendemos realizar ações em todos os bairros do município. Sobre ampliação, analisaremos os resultados e posteriormente decidiremos futuras ações.

JC – Qual a orientação principal que a Secretaria de Saúde deixa para a população neste momento?
Érica – A orientação é sempre a prevenção. Mesmo que os números pareçam favoráveis, não podemos deixar de fazer cada um a sua parte, evitando acumular recipientes que possam armazenar água, não realizando descarte incorreto e verificando calhas e reservatórios. O Aedes aegypti transmite, além da dengue, outras doenças como chikungunya, zika e febre amarela.