/Proposta que estabelece dedicação exclusiva para secretários municipais gera polêmica

Proposta que estabelece dedicação exclusiva para secretários municipais gera polêmica

Foi aprovado em segunda discussão pela Câmara Municipal, na Sessão Ordinária de terça-feira, 16 de novembro, o Projeto de Lei do Poder Executivo dispondo sobre a estrutura administrativa da Prefeitura de Batatais. A proposta recria 16 cargos comissionados, sendo: assessor técnico de gabinete, assessor de políticas ambientais e sustentáveis, coordenador da defesa civil, chefe de divisão do CREAS, diretor de gestão e capacitação de pessoas, chefe de divisão do Banco do Povo, diretor de planejamento Escolar, chefe de divisão de gestão de convênios, chefe de tributação de água e esgoto, diretor municipal de desenvolvimento urbano, diretor municipal de obras e infraestrutura, diretor municipal de serviços públicos, chefe de divisão, coordenação e acompanhamento de obras públicas, chefe de divisão de coletas e resíduos, diretor do departamento de arte e cultura e diretor do departamento municipal de eventos esportivos.

Ocorre que em decisão proferida pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2032934-79.2020.8.26.0000, 18 cargos que eram mantidos ativos até o mês de agosto na Prefeitura de Batatais foram julgados irregulares, e o Prefeito fez a exoneração dos que estavam ocupados e resolveu fazer inicialmente essas mudanças, ou adequações no quadro de comissionados, já ressaltando que fará uma reforma no próximo ano.

O que gerou polêmica foi a emenda apresentada pela Vereadora Andresa Furini (foto acima), que prevê dedicação exclusiva dos diretores e secretários da Administração Municipal. A primeira comissão da Câmara, com parecer assinado pelos vereadores Marilda Covas e Rafael Prodóssimo, propôs uma alteração, dando a possibilidade para os secretários que trabalham como docentes continuarem com suas atividades, mas ele foi rejeitado. Secretários como Bruna Toneti, da saúde, e Victor Hugo Junqueira, da Educação, por exemplo, que são professores universitários no período noturno, teriam que escolher entre continuar o trabalho na Prefeitura ou manter suas atividades como docentes. O projeto segue para sanção do Prefeito Juninho Gaspar.

A Vereadora Andresa Furini, em contato com nossa redação, afirmou que ‘tem quem defenda que regime integral e dedicação exclusiva são coisas diferentes e não foi esse o seu entendimento ao propor a emenda’. “Importante falar que a primeira comissão e a fala de vereadores no plenário deixaram claro que tem leis que permitem lecionar. Eu apenas repeti o que já constava na reforma anterior, onde os ocupantes dos empregos em comissão e funções de confiança devem ter o regime de dedicação integral ao serviço”, afirmou a vereadora.

 

O que diz o Prefeito Juninho Gaspar sobre a possibilidade de vetar o projeto ou a emenda?

O chefe do executivo destacou à nossa reportagem que o projeto traz alterações necessárias com base na ADIN, promovida pela Procuradoria do Ministério Público. “Pretendemos no próximo ano adequar e modernizar a gestão pública com uma reforma de fato. A Câmara Municipal tem suas normas e prazos para encaminhar o projeto e suas alterações. Não sabemos se é um artigo, parágrafo, inciso, pois influencia o entendimento a forma na qual foi colocada, faremos a análise no momento adequado. O secretário ou diretor tem dedicação integral e está disponível 24 horas para o município. Acredito que como as demais carreiras, que são de dedicação exclusiva, lecionar é uma exceção, desde que não haja conflito de horários no que toca a rotina e qualidade dos serviços da administração pública e que também não exista conflito de interesses. Difundir o conhecimento e capacitar pessoas faz parte da nobre arte de melhorar a nossa sociedade. E para lecionar em uma Universidade, capacidade, conhecimento e preparo são pré-requisitos. Acredito que todo gestor gostaria de ter nos seus quadros profissionais deste nível e que estão em atualização constante, prestando serviços públicos com qualidade e eficiência para nossa comunidade. Vamos aguardar a lei, verificar com a procuradoria jurídica sobre qual o entendimento dos procuradores e das legislações esparsas, bem como o entendimento jurisprudencial e de órgãos de fiscalização e controle, somente após essa análise em mãos, tomaremos as medidas necessárias e cabíveis, podendo ser pela manutenção ou veto. Importante ressaltar que na Administração pública municipal não existe acumulação de cargos públicos e nem de salários”, destacou o Prefeito.