/O mundo que deixaremos à nossos filhos e os filhos que daremos ao mundo

O mundo que deixaremos à nossos filhos e os filhos que daremos ao mundo

A paternidade ou maternidade é um ciclo na vida das pessoas. A maioria dessas pessoas assume esse papel com alegria e satisfação, a outra parte, por  razões  diversas, nem tanto.

O nascer de um filho ocasiona o nascer de um pai e de uma mãe. Essas pessoas, mesmo que não percebam assumirão novos papéis e novas responsabilidades, bem como conhecerão delícias e prazeres.

Criar fisicamente pessoas, nutrindo-as, engordando-as, protegendo-as de temperaturas excessivas como frio e calor é indescritivelmente mais fácil que formar pessoas. Educar é uma tarefa muito difícil. Trata-se de uma tarefa diária, minuto a minuto, que exige cuidados, orientações, prestar atenção de forma ininterrupta  a fim de avaliar como se dá o processo educativo da criança. Assim, é orientar, demonstrar, dar o exemplo, avaliar e, se necessário, repetir o processo em todas as suas fases quantas vezes forem necessárias.

As mães e os pais naturais ou adotivos ou que tenham sob sua responsabilidade, crianças e adolescentes mediante adoção ou termo de guarda e responsabilidade, contam com retaguarda de creches ou escolas de recreação e educação infantil. Esses aparelhos estatais ou privados  atuam como uma retaguarda para os responsáveis que trabalham e que necessitam de mão de obra especializada para o cuidado dos filhos. Mesmo com essa divisão de responsabilidade a formação e a educação é tarefa da família. A pré escola ou escola atuam como complementares no processo formativo educacional.

Pesquisas revelam que a partir da virada deste século, sobremaneira nas classes A e B, chegando em parte da classe C, embora existam exceções, ocorreu o enaltecimento dos filhos pelos pais  que os tratam e os chamam de  “príncipes e princesas”, não somente pelo amor que por esses nutrem, mas pela importância que julgam possuir. Essa idolatria tem feito com que  crianças deste pouca idade já exercitem o poder do mando e da decisão. Crianças de até oito anos, aos serem entrevistados sobre “Quem manda na sua casa?”, responderam com a maior naturalidade: eu!

Caso detenhamos atenção em situações coletivas vivenciadas em lugares de lazer, ao encontrarmos pais, mães  e filhos, facilmente  veremos e ouviremos birras, ataques de fúrias ou não submissão dos filhos aos pais e sim a submissão dos pais aos filhos. Nesse sentido, vem a necessidade de questionamento: preocupamo-nos tanto com o mundo que nossos filhos viverão, mas vemos ser desproporcional a mesma preocupação sobre que filhos deixaremos para este mundo.

Essa reflexão, pensamos, serve para que possamos pensar sobre nossa postura como pais e sobre o resultado da educação que demos ou conseguimos dar a nossos filhos. Portanto, não vejamos como negativista a conclusão deste escrito se o resultado da educação dada for positivo, fiquemos tranquilos e mantenhamo-nos na mesma conduta, no mesmo caminho.

É importante pontuar,  quem é pai e mãe sabe, embora o fato de ter como homem, engravidado a parceira ou como mulher, gerado uma criança, não é condição única para a capacidade de exercer a paternidade ou maternidade. Inclusive, os filhos são nossos tesouros, fonte de orgulho, afinal, reconhecemo-nos neles. Educar,  pressupõe compromisso com a causa, estando implícitas alegrias e dissabores, desafios e conflitos, evoluções e alegrias. Justamente pelo amor que sentimos por nossos filhos e por nossos netos, quando é chegada essa etapa especial de nosso viver, é que temos que ter a coragem de tentar educá-los com limites,  termos claro que essa ausência de limites, em curto, médio ou longo prazo, recairá sobre eles próprios – seres que amamos, em razão de que a sociedade e suas instituições e seus grupos sociais possuem regras, crenças e valores e a pessoa que tiver dificuldade ou não conseguir se enquadrar frente as normas impostas, sofrerá sanções e como tal, vivenciará relativo sofrimento.

Por isso, temos que educá-los para o mundo. Sabedores que somos que esse mundo é em parte cruel e   infelizmente, pais e mães não são eternos.

 

“Os filhos são como as pipas;

Você ensinará a voar,

mas não voarão o teu voo.

Ensinará a sonhar, mas não sonharão teu sonho.

Ensinará a viver, mas não viverão a tua vida.

Porém em cada voo,

em cada sonho,

e em cada período

de suas vidas,

permanecerá para sempre os rastros de teus ensinamentos.” [Autor desconhecido]

Pensemos nisso!