A cidade de Batatais encerra o ano com uma melhora importante nos indicadores de dengue, saindo do Nível de Risco Crítico para o Nível de Alerta. Apesar disso, o cenário epidemiológico ainda requer atenção redobrada — especialmente com a proximidade do período mais complicado no combate aos criadouros, entre fevereiro e março, quando calor e chuvas favorecem a proliferação do Aedes aegypti.
Em entrevista ao Jornal da Cidade, a Secretária Municipal de Saúde, Bruna Toneti, detalha o panorama atual, as ações já realizadas, os desafios enfrentados e as expectativas para o início de 2026.

JC – Qual é o panorama atual da dengue em Batatais? Houve redução nos índices de infestação?
Bruna Toneti: Atualmente, Batatais registra 3.942 casos confirmados de dengue em 2025, com dois óbitos relacionados à doença. Embora a situação ainda exija atenção, observamos uma redução importante da infestação nas últimas semanas.
Graças ao conjunto de ações intensificadas — mutirões de limpeza, visitas domiciliares, manejo integrado de vetores, armadilhas de monitoramento e trabalho educativo — conseguimos sair do nível de “Risco Crítico” para o nível de “Alerta”.
Os indicadores do IMFA e o monitoramento realizado por armadilhas distribuídas em vários bairros mostram essa tendência de queda. Ainda não é momento de relaxar, mas os resultados demonstram que as estratégias adotadas estão surtindo efeito.
JC – Como está a taxa de positividade das avaliações de campo? Os agentes têm encontrado mais ou menos focos?
Secretária: As avaliações de campo feitas pelas nossas equipes ainda mostram um número significativo de criadouros e focos positivos com presença de larvas. Apesar do avanço no monitoramento, a transmissão ainda encontra condições favoráveis em muitos imóveis e áreas externas.
A taxa de positividade permanece elevada, o que reforça a necessidade de cuidados diários. É importante que a população elimine recipientes que acumulam água, mantenha caixas d’água vedadas, limpe calhas e cuide de pequenos objetos que possam se tornar criadouros.
Mesmo com todo o trabalho das equipes, o combate só funciona de forma plena quando cada morador participa ativamente.
JC – As varreduras, visitas dos agentes e bloqueios de transmissão têm surtido o efeito esperado?
Secretária: Sim. Esses esforços têm gerado resultados muito positivos. A mudança de “Risco Crítico” para “Alerta” é consequência direta do trabalho intenso das equipes de campo, das operações de bloqueio e da resposta rápida aos registros de casos.
Um destaque importante é o impacto das ações de limpeza.
Nas últimas semanas, foram retiradas 114.590 toneladas de lixo em bairros como Alto da Bela Vista, Vila Maria, Castelo, Ouro Verde, Riachuelo, Santo Antônio, Portal da Cachoeira e vários outros.
Esse volume mostra o quanto o acúmulo de resíduos ainda favorece o mosquito. Mas também demonstra que as operações têm sido eficazes e necessárias.
JC – A adesão da população às orientações tem aumentado? O maior desafio ainda são os focos dentro dos imóveis?
Secretária: Avançamos, mas ainda precisamos de mais conscientização. O grande volume de lixo recolhido recentemente mostra que ainda há muitos descartes inadequados.
E sim: cerca de 80% dos criadouros do Aedes aegypti estão dentro dos imóveis. Esse segue sendo o maior desafio.
Por isso reforçamos:
• eliminar recipientes,
• manter quintais limpos,
• fazer vistorias semanais,
• permitir a entrada dos agentes.
É impossível vencer a dengue sem a participação ativa da população.

JC – Quais são os tipos de criadouros mais encontrados recentemente?
Secretária: Os principais criadouros continuam sendo recipientes pequenos e médios que acumulam água nos quintais: potes, tampas, garrafas, latas e objetos esquecidos ao ar livre.
Também encontramos muitos materiais inservíveis — móveis velhos, eletrodomésticos quebrados, lonas e resíduos — que acabam acumulando água.
Outro problema é o armazenamento inadequado de recicláveis, que quando expostos à chuva viram criadouros rapidamente.
O combate depende da eliminação diária desses pequenos focos.
JC – Com as ações já realizadas, Batatais deve iniciar o próximo ano com redução significativa da infestação?
Secretária: Estamos trabalhando intensamente para isso. O planejamento com controle mecânico semanal, visitas dos agentes e monitoramento inteligente busca reduzir criadouros antes do período mais crítico.
Historicamente, fevereiro e março são os meses de maior transmissão. Agir antecipadamente é essencial.
A expectativa é iniciar o ano com redução significativa, mas isso depende da continuidade das ações e da colaboração da população.
JC – A rede de saúde está preparada caso haja aumento repentino de casos?
Secretária: Sim. Temos um Plano de Contingência, protocolos assistenciais específicos e capacitação contínua das equipes.
Além disso, mantemos estoques adequados de testes rápidos, soros e medicamentos para garantir atendimento seguro e ágil.
Monitoramos diariamente o cenário epidemiológico e estamos prontos para ampliar as ações se necessário.
JC – Batatais trabalha com estoque de insumos específicos para dengue, como soros e testes?
Secretária: Sim. Mantemos estoque adequado de soros, testes rápidos, materiais de coleta e medicamentos.
É um planejamento contínuo para evitar desabastecimento, especialmente no período de maior sazonalidade da doença.
JC – Qual mensagem a senhora deixa para a população neste momento crítico?
Bruna Toneti: “Peço, com todo carinho, que a população nos ajude a cuidar da nossa cidade. Não há como combater a dengue se apenas a Prefeitura fizer sua parte. Cada morador precisa manter o quintal limpo, eliminar recipientes com água e fazer a vistoria semanal.
O combate ao Aedes aegypti é uma responsabilidade coletiva. Cada foco eliminado salva vidas. Estamos trabalhando intensamente, mas somente com a união da população conseguiremos manter Batatais segura e saudável.”





