A Associação de Catadores de Materiais Recicláveis de Batatais (Acomar) completou, no dia 25 de janeiro, 20 anos de atuação marcada por desafios, superação e um forte compromisso com a causa ambiental e social. À frente dessa história está Claudemira Pereira, fundadora e presidente da entidade, que relembra uma trajetória construída com muito esforço, fé e persistência.
Claudemira conta que a caminhada nunca foi fácil. Segundo ela, foram anos de muita luta para manter a associação funcionando, enfrentando dificuldades financeiras, estruturais e burocráticas. “Foi muito corrido, muita luta, muita persistência e muita força. A gente tem que ter Deus no coração pra enfrentar tudo que nós enfrentamos. Mas, graças a Deus, a gente conseguiu o caminhãozinho e seguimos fazendo a coleta, fazendo o que está ao nosso alcance”, relata.

A ideia de criar a associação surgiu a partir da própria vivência de Claudemira com a reciclagem. Ela relembra que começou trabalhando de forma individual, ainda na época do lixão, até ser uma das primeiras pessoas escolhidas para integrar um projeto municipal. “Eu catava particular, vim do lixão. Depois passei algumas ideias que viraram a cooperativa na época, a Copercol, e mais tarde a associação, a Acomar. Foi muita luta, mas eu nunca desisti”, afirma.
Um dos marcos da história da Acomar foi o trabalho educativo realizado junto à população. Claudemira destaca que, durante anos, os catadores bateram de porta em porta para ensinar as pessoas sobre a importância da separação do material reciclável. “Foi um belíssimo trabalho. Muita gente colaborou, separou o material, aprendeu o que era reciclado. A gente bateu muita porta para construir essa consciência”, relembra.
No auge da associação, cerca de 90 pessoas chegaram a trabalhar na coleta. Hoje, a equipe é reduzida, com cerca de cinco a seis trabalhadores, mas, mesmo assim, a presidente destaca que o volume de material recolhido aumentou. “Com menos pessoas, a gente consegue recolher até mais do que antes. A gente faz o possível, tenta ajudar e gerar renda”, explica.
Além da coleta de recicláveis tradicionais, como garrafas PET e diferentes tipos de plástico, a Acomar também recebe móveis, roupas, brinquedos e utensílios domésticos. Parte desses itens é revendida para ajudar na manutenção da associação e no pagamento de despesas, como combustível. A conquista do caminhão próprio foi um divisor de águas para a entidade. “Melhorou 100%. Antes a gente até ficava sem jeito de atender algumas ligações. Hoje o pessoal liga, traz material no final de semana, e só em sábado e domingo a gente chega a recolher cerca de 20 bags”, comemora Claudemira.
A atuação da Acomar vai além da subsistência dos catadores. Pessoas que acompanham o trabalho da entidade destacam a dedicação e a paixão de Claudemira pela causa ambiental. Para apoiadores, ela é um exemplo de fé, persistência e compromisso com algo maior do que a renda, contribuindo diretamente para a preservação do meio ambiente e para a conscientização da população.
A associação também tem ampliado sua divulgação por meio das redes sociais, facilitando a comunicação com os moradores. A população pode acompanhar os dias e bairros atendidos e se organizar para separar o material reciclável. A sede da Acomar está localizada na região da antiga Febem, em local de fácil acesso, onde os materiais também podem ser entregues diretamente.
Ao completar 20 anos, a Acomar celebra uma trajetória construída com muito esforço e reforça o pedido de apoio da população. A separação correta do lixo reciclável, a organização comunitária e a colaboração dos moradores são fundamentais para manter viva uma iniciativa que gera renda, promove inclusão social e contribui para um futuro mais sustentável em Batatais.






