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O novo pedágio eletrônico sem cabines

O novo modelo de cobrança de pedágio nas rodovias brasileiras
Motoristas que têm circulado por algumas rodovias brasileiras, especialmente no estado de São Paulo, já começaram a notar uma mudança importante: em determinados trechos, o pedágio deixou de ter cabines, cancelas e filas. Apesar disso, a cobrança continua existindo — apenas passou a ser feita de forma totalmente eletrônica.
O modelo, conhecido como pedágio eletrônico em fluxo livre, ou free flow, representa uma transformação significativa na forma como as rodovias são operadas no país e faz parte de um processo mais amplo de modernização da infraestrutura viária.
No lugar das tradicionais praças de pedágio, são instalados pórticos com câmeras e sensores capazes de identificar os veículos no momento da passagem, sem que seja necessário reduzir a velocidade.
A cobrança ocorre de duas maneiras:
Veículos com TAG eletrônica têm o valor debitado automaticamente da conta vinculada ao dispositivo.
Veículos sem TAG são identificados pela placa, e o motorista deve realizar o pagamento posteriormente, dentro do prazo estabelecido, utilizando os canais digitais da concessionária responsável pelo trecho.
O objetivo é garantir fluidez total do tráfego, eliminando paradas e gargalos.
O estado de São Paulo já conta com experiências práticas desse modelo. Um dos casos mais conhecidos é o trecho da Rodovia dos Tamoios, no litoral norte paulista, onde o sistema de pedágio eletrônico foi implantado para melhorar o fluxo em uma região com grande movimento turístico.
Outro exemplo está em trechos da SP-333, administrada por concessionária privada, onde o free flow vem sendo testado como alternativa às praças tradicionais, permitindo cobrança mais dinâmica e sem interrupção do trânsito.
Essas rodovias funcionam como projetos de referência para a expansão do modelo em outras regiões do estado e do país.
A adoção do pedágio sem cancela traz impactos positivos relevantes:
A eliminação das paradas reduz congestionamentos, especialmente em feriados e períodos de pico.
Em alguns trechos, o sistema permite tarifação proporcional à distância percorrida, alinhando o valor pago ao uso efetivo da rodovia.
Apesar dos avanços, a implementação do sistema também traz desafios importantes:
Necessidade de maior informação ao usuário Muitos motoristas ainda desconhecem o funcionamento do modelo, o que pode gerar atrasos no pagamento.
Dependência de meios digitais O sistema exige acesso a aplicativos, sites ou outros canais eletrônicos, o que pode dificultar o uso para parte da população.
Risco de penalidades por esquecimento O não pagamento dentro do prazo pode resultar em multa de trânsito, elevando significativamente o custo da passagem.
Esses pontos reforçam a importância de campanhas educativas e comunicação clara durante a fase de transição.
O pedágio em fluxo livre já é realidade consolidada em países como Portugal, Chile, Estados Unidos e Austrália, onde o modelo é utilizado há anos tanto em rodovias quanto em vias urbanas.
Nessas localidades, o sistema contribuiu para a redução de congestionamentos, aumento da segurança viária e maior eficiência operacional. Em todos os casos, o sucesso esteve diretamente ligado à simplicidade do pagamento e à boa informação ao usuário.
O pedágio eletrônico sem cancela representa uma mudança estrutural na mobilidade rodoviária brasileira. A tecnologia já mostrou que funciona, mas sua consolidação depende de adaptação, clareza e confiança dos motoristas.
Para quem pega a estrada, a recomendação é direta: atenção à sinalização e às regras de pagamento, especialmente nos trechos onde o sistema já está em operação.