
O cenário político de Batatais tem sido marcado por polêmicas e acusações envolvendo vereadores da cidade, com um episódio recente ganhando grande destaque. O vereador Eduardo Henrique Ricci fez um pronunciamento público onde repudiou o vazamento de informações privadas nas redes sociais e destacou a necessidade de esclarecer as acusações contra ele. Ricci esclareceu que as informações divulgadas, de uma reunião com a Vereadora Dalvania Borges da Costa, não são verdadeiras e se comprometeu a provar sua inocência na justiça. Segundo ele, o vazamento foi orquestrado por pessoas com quem ele já enfrenta processos criminais, citando nominalmente os nomes de Gabriel Pupim e Michel Nazar. “Tenho ao meu lado como testemunha quase a totalidade da Câmara, o que reforça a veracidade da minha defesa”, disse o vereador.
O presidente do Partido Progressistas (PP), André Luís da Silva, também se manifestou sobre o ocorrido e apresentou um posicionamento oficial do partido. Ele explicou que, na terça-feira, 25 de fevereiro, a vereadora Dra. Dalvania relatou, em uma reunião com todos os vereadores, que se sentiu ameaçada em uma conversa privada com Eduardo Ricci. Esse episódio gerou tensão, levando os vereadores a solicitar que Ricci se manifestasse em uma reunião conjunta.
Após a conversa, Ricci e Dalvania esclareceram os fatos, tendo ambos, segundo o relato de André, se dado as mãos, o que aparentemente solucionou o mal-entendido. Contudo, boatos e informações desencontradas começaram a circular pela cidade e nas redes sociais, exacerbando a situação. No dia seguinte, os dois registraram boletins de ocorrência sobre o caso.
A Manifestação de Dra. Dalvania

Em sua própria manifestação, Dra. Dalvania, se disse indignada com os acontecimentos e com as falsas informações que estavam sendo divulgadas. A vereadora ressaltou que sempre lutou pelo que é correto e que não iria se curvar diante das situações de pressão política. “Sou uma mulher justa, respeitosa e exijo o mesmo de meus pares. Voltei para a política para servir, não para receber ordens ou ameaças. Temos muito a fazer por essa cidade, mas para isso precisamos ter dignidade na nossa Câmara”, afirmou.
Ela também fez questão de frisar que repudia qualquer forma de coação, ameaça, intimidação ou desrespeito, independentemente de ocorrerem em uma conversa privada. A vereadora se posicionou contra a política de fofocas e manipulações que, segundo ela, é praticada por algumas pessoas que buscam polêmicas para se perpetuarem no cargo. “Não abaixarei a cabeça para vocês”, disse, referindo-se àqueles que tentam usá-la como instrumento para fins pessoais.
No boletim de ocorrência, Dalvania afirma que Ricci teria dito que já deu vários avisos a ela: “Quem é amigo de meus inimigos é meu inimigo também. Já fui bandido a maior parte da minha vida, mas hoje eu mudei e sou uma pessoa do bem, tanto que fui o vereador mais votado, no entanto os meus contatos continuam”, relatou a polícia.
Nova acusações no plenário da Câmara
Na última sessão, realizada na quinta-feira, 6 de março, Eduardo Ricci denunciou tentativas de pressão e ataques políticos. O vereador classificou o caso como um “espetáculo de Carnaval” e lamentou que seus colegas tenham sido expostos a cobranças indevidas nas redes sociais. Ricci destacou que o motivo central da controvérsia estaria ligado à sua recusa em aprovar a contratação de uma empresa por R$ 170 mil para prestar serviços à Câmara. Segundo ele, a proposta foi defendida insistentemente pela vereadora Dra. Dalvania, que teria tentado convencê-lo ao longo de dois meses. “Não tenho nada contra essa empresa, mas cansei de dizer que não era necessário gastar esse valor para um serviço que já temos resguardado na estrutura da Casa”, afirmou.
O vereador apresentou áudios que, segundo ele, comprovariam tentativas de convencê-lo a aceitar a contratação, incluindo argumentos de que a empresa teria influência em órgãos superiores, como o Tribunal de Contas e com Desembargadores. “Tenho em mãos a ata notarial desses áudios, registrada em cartório, garantindo sua veracidade”, ressaltou.
Ricci também mencionou que as acusações contra ele fazem parte de uma estratégia de perseguição política liderada por um grupo que já moveu diversas denúncias. “Sempre consegui provar minha inocência, e agora provarei novamente contra as mentiras da vereadora.
O vereador informou que já acionou o Ministério Público e a OAB para que as alegações sejam tratadas nos âmbitos legais e criticou a postura de sua adversária. “Denúncias sérias são feitas nos meios legais, e não na internet, em canais sem credibilidade”, declarou.
Já Dalvania, usando a palavra livre, afirmou: “Como é de conhecimento da maioria eu, recentemente, fui vítima de ameaça. Registrei um boletim de ocorrência e aguardo que a justiça seja feita. Depois disso, recebi várias mensagens de mulheres que também foram ameaçadas por Eduardo Ricci. Elas me procuraram, apresentaram boletins de ocorrência e contaram fatos semelhantes aos que eu sofri”, destacou.
Opinião
A polêmica envolvendo os dois vereadores segue ganhando repercussão e dividindo opiniões no cenário político de Batatais. O embate tem se intensificado, com acusações de ameaça, manipulação de informações e estratégias políticas sendo levantadas por ambas as partes. Enquanto Ricci se defende das acusações e promete provar sua inocência por meios legais, Dalvania reforça seu compromisso com a justiça e a ética, ressaltando os relatos de outras mulheres que teriam sido vítimas de ameaças semelhantes.
Com a situação ainda longe de um desfecho claro, é evidente que o caso transcendeu as fronteiras da Câmara Municipal, refletindo um clima de tensão e desconfiança que impacta não só os envolvidos, mas toda a comunidade de Batatais. O caminho para a resolução desse impasse, agora, parece estar nas mãos da justiça e das instituições competentes, que terão o papel de esclarecer as denúncias e assegurar que os direitos dos cidadãos, bem como o respeito às normas políticas e legais, sejam mantidos.





