/Batatais perde Walter Cardoso, guardião da história e cultura local, aos 102 anos

Batatais perde Walter Cardoso, guardião da história e cultura local, aos 102 anos

A cidade de Batatais se despediu no domingo, 11 de maio, de uma de suas figuras mais ilustres: o professor e historiador Walter Cardoso (foto), que faleceu aos 102 anos. Reconhecido como um verdadeiro guardião da memória batataense, Walter dedicou sua longa vida à preservação, pesquisa e valorização da história e cultura local, deixando um legado de erudição, sensibilidade e profundo amor por sua terra natal.
Veterano da Força Expedicionária Brasileira, Walter participou da Segunda Guerra Mundial como pracinha, experiência que influenciou não apenas sua trajetória pessoal, mas também seu compromisso com a documentação dos feitos históricos nacionais e locais. Seu trabalho intelectual se tornou uma referência na preservação da memória coletiva de Batatais, contribuindo com inúmeros registros, artigos e publicações que enriquecem o patrimônio cultural da cidade.
Entre suas contribuições mais relevantes está o livro “Bom Jesus da Cana Verde dos Batataes – das bandeiras à cidade”, lançado em 2014 durante o bicentenário da Freguesia de Batatais. A obra é considerada uma das mais completas sobre a formação histórica do município e exemplifica o rigor acadêmico e a paixão com que Walter tratava cada tema ligado à cidade.
Mesmo com sua extensa produção intelectual, Walter também se destacava pelo engajamento na vida cultural de Batatais. Era um apaixonado pelo carnaval e participou ativamente da Escola de Samba Castelo, onde se tornou uma figura emblemática. Em 2018, foi responsável pela pesquisa e roteiro do desfile campeão da escola, com o enredo “Ahimsa Gandhi — Um canto de paz”, inspirado na filosofia da não violência de Mahatma Gandhi.
A célebre frase de Walter, eternizada pelos integrantes da escola, resume sua ligação afetiva com o carnaval e com a comunidade: “Ser castelense é um estado d’alma imorredouro!”.
Walter Cardoso também foi um nome importante nas áreas da educação e da cultura institucional, atuando como professor e orientador de gerações de estudantes, historiadores e cidadãos conscientes do valor da memória local. Sua atuação voluntária em projetos culturais sempre foi marcada pela generosidade, sabedoria e dedicação.
Seu falecimento representa uma perda irreparável para Batatais. Mas seu legado permanece — nos livros, nos carnavais, nos projetos que idealizou, e principalmente na memória afetiva da população que pôde conviver com sua presença inspiradora.